09/04/2026

Cinco armadilhas que levam o contribuinte a cair na malha fina da Receita Federal

Fonte: O Estadão
Em mais um capítulo do quadro “Desorientados do IR”, a colunista do Estadão
Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, mostra o que pode levar o
contribuinte a cair na malha fina. No Fala, Duquesa! desta semana, ela explica que
isso ocorre porque a declaração não coincide com as informações que a Receita
Federal recebeu de outras fontes. “Se a sua versão dos fatos está diferente, o
sistema vai perceber na hora.”
A principal cilada, diz ela, é esquecer de declarar rendimentos dos dependentes.
Se você colocou filho, cônjuge, pai ou mãe como dependente, você precisa
lembrar que os rendimentos dele também têm de entrar na declaração. A
segunda cilada é a despesa médica, sem comprovação. “Esse é um dos pontos
mais sensíveis da declaração, justamente porque chama muita atenção. Não pode
lançar vacina, remédio, procedimentos variados, terapia alternativa, sem ter
documento hábil para sustentar aquilo e sem que a despesa seja dedutível.” Ele
destaca que tudo precisa ter recibo, nota fiscal, comprovante, nome do
profissional, CPF, CNPJ, data e valor.
Terceira pegadinha: omissão de rendimentos. “Se você recebeu salário, aluguel,
aposentadoria, pensão, honorário, rendimento, qualquer coisa, você precisa
declarar.”
A quarta cilada é informar um valor de imposto retido na fonte que não bate com
o que a fonte informou. “Traduzindo: você coloca que teve um imposto retido ou
coloca um valor diferente do que a empresa, o banco ou qualquer outra fonte
pagadora mandou para a Receita. Aí você entra naquele grupo maravilhoso de
pessoas que vão precisar se explicar. Por isso, pré-preenchida é boa, mas não é
para aceitar de olhos fechados; é para pegar e conferir.”
Por fim, a quinta cilada: aumento patrimonial sem lastro em rendimento. “Ela não
depende necessariamente de um erro ou de uma informação que a Receita
recebeu. Às vezes é o conjunto da obra. Você ganhou um tanto, declarou
pouquinho, mas comprou imóvel, trocou de carro, fez aporte e quitou dívida. A
Receita Federal cruza patrimônio com renda.”
Portanto, se a sua evolução patrimonial está incompatível com aquilo que você
declarou, com aquilo que você disse que ganhou, ela vai querer saber de onde é
que saiu o seu dinheiro, diz a colunista. “A malha fina, muitas vezes, não é um
grande escândalo cinematográfico. Ela vem, às vezes, de um erro bobo, de pressa,
autoconfiança excessiva ou então daquele sentimento meio brasileiro de ‘depois
eu vejo isso’.”